Sim, versos.


De dentro de mim,

Pela janela da alma

Vi a tristeza, a alegria.

Vi luz do dia e noite fria

Vi amor.

Vi também dor.

Calor que acalma,

Eu vi. Tudo assim.

Vi seu abraço

Cômodo espaço

Olhar arriscado

Pra ver deste lado

Tudo que eu vi

De dentro de mim

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A CHAVE DO AMOR

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Das minhas experiências que vivi sobre amor, não há muita coisa que mereça ser usada como conselho. Até porque o amor é peculiar a cada pessoa em intensidade, estilo, personalidade, com a singularidade de uma obra de arte. Conselho de amor não existe, como não existem técnicas de amor. Não posso ensinar o que não sei. Não conheço o amor alheio. Também, não aceito conselhos de amor. O meu é meu e o seu, seu. Da mesma maneira, não se ama mais nem menos. Não há maior ou menor. Não tem medida. Amor, para mim, não está dentro. Porque se não tem medida, também não tem limite. Amor não sai de dentro da gente e vai pra outra pessoa. Ele envolve, permeia corpo, alma e espírito e não se dissolve. Se amo alguém, amo. Se amo mais alguém, outra pessoa, amo também. E as formas de amar? (Fileo, eros e ágape). Aí vai minha cutucada nos teóricos: amor é amor. Se não for incondicional, não é amor. Pode vir acompanhado de paternidade, fraternidade, desejos físicos ou metafísicos, de fé ou de materialismo. Amor é amor. Não quero ser simplista, nem purista. Mas defendo que o amor existe e ponto. Você não aponta e dispara, tipo cupido. Amor é abraçar sem tocar e nunca mais soltar. Raiva é sentimento. Frustração, tristeza, alegria são coisas que a gente sente. Amor… Não. Amor existe e coexiste com mais amor. Não se divide. Multiplica-se. Amamos o primogênito, depois amamos o segundo filho também. Não tiramos um pouco de amor de um para dar a outro. Amor não cansa nem descansa. Não tem uma chave on-off que se possa desligar e dizer “não te amo mais”. No máximo é possível entender que nunca amou.

De tudo um pouco

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©danielperez

Quando era criança via meu pai trabalhando e queria ser como ele: bom naquilo que faz! Com o passar dos anos percebi uma forte tendência ao aprofundamento nas especializações em todas as áreas. Não obstante ser bom, também precisava ser especialista. Em algumas áreas, como a medicina por exemplo, isso acentua-se até os dias de hoje. Em outras, o processo inverteu-se: na busca da ascensão meteórica de suas carreiras os profissionais passaram a exercer funções multitarefas. Questões do tipo “até que ponto isso é saudável?” Eram sufocadas pelo aparecimento de uma galera nascida nas entranhas da tecnologia e o desespero crescente por produtividade nas empresas. Porém, onde abundam energia, ambição  e conhecimento, por vezes minguam a experiência e sentimento de grupo, a subordinação e a ética. Outras vezes funciona bem. Como saber? Uma coisa é certa: dedicação, sabedoria, disposição e interesse no trabalho são sempre bem recebidos.

Se já não é o bastante ser bom naquilo que faz e se não é possível ser o melhor em tudo, talvez reste-nos procurar fazer de tudo um pouco. Tudo sempre bem feito.

Sobrevivi

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Nasci no Brasil um ano depois do golpe militar. Estudei em colégio particular, depois nos estaduais. Tive aulas de Educação moral e cívica (era obrigatório). A despeito da ditadura, cheguei à maioridade e, pasmem, servi ao Exército Brasileiro no ano da abertura política e estava de prontidão no dia das Diretas Já! Tornei-me comunista e meu primeiro trabalho de filosofia na faculdade foi baseado no manifesto do Partido. Depois socialista, social-democrata, até concluir que nenhum deles se dá ao respeito e, portanto, não merecem o meu respeito. Vi presidente morrer sem assumir, presidente assumir sem querer, presidente ser presidente sem merecer e presidente cair sem saber o porquê. Vi presidente que não gostava do cheiro de gente. Preferia os cavalos. Já vi cara-pintada, cara-de-pau e cara-lavada. Isso tudo se ficarmos no primeiro escalão. Vi um ministro acertar o rumo da economia e virar presidente.
Virou o século e a maior frustração da humanidade talvez tenha sido o não-bug-do-milênio. A minha foi ver que os políticos “trabalhadores” valem tanto quanto aqueles a quem eles próprios apedrejaram.
Era pra ser um texto divertido, mas não deu. Não posso julgar a ninguém. Não sou cego, contudo. Porém, do alto dos meus cinquenta anos (sinto-me ridículo com essa frase), posso assegurar que cada um luta pela própria sobrevivência. A vida é um amontoado de relações políticas: na escola, no trabalho, na rua, na família. Já vi dois impeachments e estou aqui.

Sobrevivi.

Procurei uma mulher

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Que me fizesse feliz, satisfizesse meus caprichos, realizasse meus desejos, concretizasse meus sonhos. Encontrei uma que me ensina caminhos para a felicidade, desperta em mim novos desejos, me estimula a sonhar mais a cada dia.
Procurei uma mulher compreensiva.
Encontrei uma que me traz à luz a realidade.
Da mulher doce que procurei acabei por encontrar um sabor próprio que não me canso de degustar.
Procurei uma mulher.
Queria uma, como todo mundo quer. Que fosse especial e comum de valores.
Encontrei uma mulher única.

 

Geração de conflitos

Assino spotify, publico blog na internet, estudo inglês, sou viciado em smartphones, curto videogames, uso tênis 24 hs por dia, gravata, nem por decreto (exceto casamentos). A qual geração pertenço? A propósito, não mencionei que nasci na década de 60. Não havia internet. Aliás, não havia computador. Nem videocassete tinha. Minha vida não era um tédio na época, nem é agora! Pretendo apropriar-me do que cada época tem a oferecer. Se é nadar no riacho, então nado! Se é tecnologia, então tecnologia! Gosto do atual, contemporâneo, moderno, erudito, tudo! Aquele que quiser estacionar, dê seta, encoste no seu tempo e viva incomodado pela novidade, acomodado no conflito de gerações. O tempo não para! Anda pra frente e pra trás. Agora é futuro, o retrô é atual também, o erudito está incorporado a novas tendências. Conflito de gerações? Não. Não acredito em gerações alienadas. Conheço pessoas alienadas que promovem a geração de conflitos. Não acho que a música do meu tempo seja melhor ou pior. Tem música ruim em todas as épocas. Também tem música boa! O que eu faço com os caras que insistem em me chamar de velho? Aprendo com eles. Aos que me chamam de garoto, ensino. Não vejo os que nasceram depois de mim como inimigos. Tampouco os que vieram antes. Há um ensinamento cristão a respeito de absorver o que é bom e lançar fora o que não é. Viva bem! Não precisa ser Poliana, mas observe o antes e o depois com olhos curiosos e atentos. Você vai se surpreender com o que pode encontrar.

A geração depois da minha fala sério, sim.